Ásia, Camboja

Koh Rong, uma pequena ilha paradisíaca do Camboja

Se eu tinha uma certeza quando viajei para o Sudeste Asiático, era que queria conhecer o maior número de ilhas possíveis. De fato, as ilhas do Camboja não são tão famosas quanto as da Tailândia. Mas quando eu ouvi falar que a ilha de Koh Rong ficava pertinho da cidade de Sihanoukville, achei que deveria dar uma chance. Afinal, quem sabe eu não descobriria um novo paraíso favorito e menos explorado pelo turismo em massa?

Long Set Beach, Koh Rong
Long Set Beach em Koh Rong, no Camboja.

Durante meu mochilão pelo Sudeste Asiático, conheci algumas pessoas que tinham ido até essa ilha. Apesar das recomendações serem boas, quase todo mundo falava a seguinte frase: “Só que tem muito rato nessa ilha!” Eu não conseguia acreditar nessa história que uma ilha paradisíaca pudesse ter muito rato. Então fui descobrir por experiência própria se era verdade ou exagero.

Você vai encontrar nesse post:
Sobre Koh Rong
Viajando para Koh Rong
Desembarcando na ilha
Pontos de interesse
Perrengue de viagem
Saindo de Koh Rong

Sobre Koh Rong

Koh Rong é a segunda maior ilha do Camboja, localizada na região do Golfo da Tailândia à 25 km da cidade litorânea de Sihanoukville. Com uma população de aproximadamente 2 mil pessoas, essa ilha começou a ser povoada recentemente, por meados do ano 2000. Mas recentemente vem cada vez mais atraindo turistas de todas as partes do mundo, principalmente os mochileiros dado que a estrutura da ilha eh relativamente precária.

A ilha é famosa por conta do seu clima tropical, águas cristalinas e principalmente por causa das suas praias de areia branca, tanto na costa leste quanto na costa oeste da ilha. Contudo, durante minha visita em 2016, não havia estradas nem carros. Então a locomoção de uma praia à outra era feita a pé ou de barco.

Já o interior da ilha era ocupado por uma vegetação densa. Havia trilhas para atravessar para o outro lado da ilha, mas a sinalização era bem precária. Importante informar também que há bastante pernilongo na mata, mas principalmente na praia Sok San (aqui eles chamam de sandfly). Por isso há tantos locais vendendo produtos feitos a base de óleo de coco.

Praia Kaoh Touch em Koh Rong, Camboja
Koh Rong, Camboja.

Viajando Para Koh Rong

Quando fiz o mochilão pelo Sudeste Asiático, só depois de chegar em um novo destino eu decidia quanto tempo ia ficar por lá e qual seria o próximo destino. Depois de curtir a cidade de Sihanoukville por uma semana, decidi que estava na hora de seguir viagem e ir conhecer a ilha de Koh Rong.

Um dia antes, comprei a passagem de barco só de ida na rua Serendipity Beach (rua 502) em Sihanoukville. Tinham duas opções de passagens para essa viagem: um barco mais rápido e mais caro ou um barco mais devagar e mais barato.

Comprei a passagem do barco mais barato, o slow boat (que na minha opinião mais slow impossível). Isso fez com que a viajem além de demorada ficasse também enjoativa. Olha que eu tenho estômago forte para passeios de barco.

O barco fez uma primeira parada em Koh Rong Samloem, que pelo que eu vi parece ser uma ilha menor e menos estruturada do que Koh Rong. Ficamos alguns minutos ancorados esperando enquanto algumas pessoas desciam e outras subiam à bordo. Em seguida continuamos rumo à ilha de Koh Rong.

Boat to Koh Rong
Eu e Júnior no barco à caminho de Koh Rong.

Desembarcando Na Ilha

Ao chegar no terminal da praia Kaoh Touch em Koh Rong, pediram para todos que estivessem saindo do barco se sentassem no restaurante da plataforma de desembarque para ouvir as ‘instruções’ da ilha. Que eram as seguintes:

• evitar atravessar pela mata para o outro lado da ilha, pois existem muitas cobras por ali e poderíamos ser picados. Haviam casos recentes de pessoas que tinham sido picadas por cobras (ps.: caso a gente quisesse ir conhecer o outro lado da ilha, poderíamos pagar para ir com barcos que saíam desse mesmo terminal);
• tomar muito cuidado onde iríamos comer e beber, pois nem todos os restaurantes eram limpos e confiáveis (ps.: mas que podíamos comer ali despreocupados pois a comida era muito saborosa e com preço acessível);
• que em caso de diarreia ou sintomas de infecção alimentar, deveríamos esperar 3 dias pra poder ter certeza e aí sim procurar o único médico da ilha (ps.: mas que poderíamos pagar uma consulta quando quisesse pra ver esse mesmo médico que ficava localizado ali, logo atrás do restaurante);
• não deveríamos andar pelas áreas que os cambojanos moram, pois eles gostam de sua privacidade e poderiam se sentir incomodados com a nossa presença;
• que ali no restaurante e no hotel do píer, eles tinham vagas para mochileiros que quisessem trabalhar em troca de alimentação e acomodação;
• e por fim, que a ilha só tem bangalôs de bamboo e madeira, e que ali onde estávamos era o único lugar oferecendo acomodação em construções e os únicos com ar-condicionado (ps.: e que eles ainda tinham alguns quartos disponíveis).

Koh Rong Pier
Píer em Koh Rong, no Camboja.

O cara dando as tais instruções era um turco que me pareceu ser um funcionário/gerente do negócio todo: o barco, o píer, o restaurante, o bar, o hotel, a clínica e etc. Tudo uma coisa só, de um dono só. Eu já tinha visto turcos gerenciando o píer lá em Sihanoukville, então a minha primeira impressão foi a de que um grupo de turcos se instalaram na ilha e dominavam grande parte do comércio.

Sim, tinha um cambojano aqui ou acolá. Mas eles não eram donos dos negócios na ilha. Eles trabalham para os estrangeiros, como esses turcos. Lógico que essas instruções tiveram um único motivo: estavam vendendo seus serviços. Cheguei a conclusão que não precisávamos ter ficado ali pra ouvir isso.

Pontos De Interesse Em Koh Rong

Após encontrar um hostel para passar a noite, deixei as malas no quarto, almocei no restaurante do mesmo hostel e já tinha a programado como seria o resto do dia. Minha intenção era caminhar pela praia Koh Touch (Koh Tui) até a Long Set Beach (Praia 4km) e depois disso voltar para o hotel pra poder tomar um banho antes de ir jantar. A programação do dia seguinte seria pegar o barco para ir para o outro lado da ilha passar o dia na Sok San Beach (Praia 7km).

Koh Touch (Koh Tui)

Nunca vi uma areia tão branca e tão fofinha como em Koh Rong. A caminhada até a Long Set Beach (Praia 4km) durou um pouco mais de uma hora. Fui andando bem devagar para observar os turistas, os moradores, os funcionários dos hostels, as acomodações ao longo do caminho, curtir a praia e tirar algumas fotos.

Long Set Beach (Praia 4km)

Já estava entrando no clima da ilha e chegando na Praia 4km fiquei mais feliz ainda. A praia de tão longa quase não conseguia enxergar aonde terminava e estava do jeito que eu mais gosto: vazia! O tom azul claro e a transparência da água do mar me deixaram encantada.

Long Set Beach, ilha do Camboja
Long Set Beach (Praia 4km)

Mas foi logo mais adiante que finalmente entendi o motivo por estar tão vazia. Em primeiro lugar, não tem absolutamente nada em volta. Nenhum restaurante, nenhum hostel por perto e nenhum banheiro, acho que por isso a maioria das pessoas preferem ficar na praia Kaoh Touch, onde concentra-se a maioria dos hostels e restaurantes da ilha.

E pior que isso, a praia estava cheia de lixo. 🙁 Fiquei muito triste ao ver essa situação. Esse lindo paraíso infelizmente estava todo poluído.

O lixo era daqueles trazido pelo mar o que te faz questionar aonde o lixo produzido na ilha está sendo despejado? Diretamente no mar? Será que eu queria mesmo estar aqui colaborando indiretamente com tudo isso? Seria esse um dos motivos de ter tantos ratos na ilha?

Lixo espalhado na Long Set Beach (Praia 4km)

Perrengue De Viagem

Eu não queria dormir em bangalô para não correr o risco de ter que dividir minha cama com ratos, ver ou escutar eles correndo no teto durante a noite, qualquer coisa desse tipo. No caso então peguei o quarto desse lugar, que era um prédio pequeno, com janelas e portas, tudo novinho, parecia que tinha acabado de ser construído.

Antes do anoitecer, voltei pro quarto do hotel pra tomar um banho e ir jantar, quando abro a porta do quarto o pior me aconteceu. Dei de cara com uma ratazana gigante que tinha arrancado um pacote de bolacha de dentro da minha mochila (sim, eu disse dentro da mochila). Eu não sei quem pulou mais alto, se foi eu ou se foi ela.

Nenhuma de nós duas tinha pra onde correr, ela por falta de espaço e eu por estar paralisada. Meu sistema travou completamente porque eu tenho trauma de rato, achei que ia estar longe deles escolhendo um quarto relativamente limpo e novo no “melhor” hotel da ilha. Acabou que ela correu pro banheiro e até hoje eu não sei que fim deu aquela ratazana.

Não voltei pro quarto e não consegui dormir a noite toda. Tudo que eu queria era estar o mais longe possível dali na manhã seguinte, pois todos os barcos já tinham saído aquela noite. Quando o primeiro barco deixasse a ilha no dia seguinte eu queria ser a primeira pessoa a entrar nele e desaparecer daquele lugar.

Praia Kaoh Touch em Koh Rong à noite
Praia Kaoh Touch em Koh Rong à noite.

Saindo De Koh Rong

As agências que vendiam as passagens de barco já estavam quase fechando quando cheguei para comprar o barco de volta para Sihanoukville, tive muita sorte por ter sido atendida mas fui informada que todos os barcos rápidos (fast boat) do dia seguinte já estavam esgotados.

A opção era mais uma vez pegar o barco devagar (slow boat) pro horário do almoço, lógico que não pensei duas vezes. Antes morrer de enjoo no barco indo embora do que ter que dormir naquela ilha mais uma noite! Se você me perguntar:

Valeu a pena ir até lá? Claro! Pra mim valeu a pena pois conheci um lugar novo, adquiri experiências e aprendizados novos;
Se eu indico? Lógico! Você tem que ir e conhecer a ilha com seus próprios olhos, a sua experiência pode ser meio desastrosa como a minha como também pode ser completamente diferente;
Se eu voltaria? Com certeza! Apesar de tudo, Koh Rong é linda e eu ainda quero conhecer a praia Sok San (Praia 7km).

O turismo no Sudeste Asiático tem crescido em um ritmo muito acelerado o que resulta em algumas ilhas se desenvolverem sem nenhum tipo de planejamento. Eu fiquei no único hotel de concreto da ilha, mas tenho certeza que agora já devam existir tantos outros.

O que eu mais espero é que os turistas e moradores tenham se conscientizado e estejam cuidando da ilha, do saneamento básico e todos os outros aspectos para que o turismo não destrua a beleza do lugar. Eu realmente espero poder voltar no futuro e encontrar a ilha em uma outra realidade do que em 2016.

Porto de Sihanoukville, no Camboja.

Veja todos os posts do Camboja no Mais Um Destino.

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6 comentários em “Koh Rong, uma pequena ilha paradisíaca do Camboja”

  1. Superar os contratempos com certeza leva a belos lugares como esses que você conheceu no Camboja, lugares simples e pouco explorados, só para pessoas corajosas como você, lógico que para ser corajosa, não precisa enfrentar uma ratazana!!

    1. O Camboja é um país com uma beleza natural exuberante. Já estou planejando voltar pra lá para conhecer as outras ilhas que não visitei na última vez que estive no país.

  2. Passeios sao sempre uma maneira de conhecer e aprender. E nem sempre 100% de coisas excelentes. Acontece. Beijos.

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