Ásia, Índia

Nova Deli

A Índia não é um daqueles países que você simplesmente acorda um belo dia e decidi viajar para lá. No mínimo você deve ter um sonho de criança ou algum tipo de conexão. Na verdade o meu sonho de visitar a Índia é recente, surgiu mais ou menos uns 2 anos atrás. E tomou força no ano passado, quando eu estava planejando onde gostaria comemorar meus 30 anos de vida. Uma data dessas sem dúvidas merece uma celebração especial. Como eu amo viajar, queria conhecer um país que fosse especial para mim.

Eu sempre me identifiquei com alguns aspectos da cultura indiana, pra ser mais específica: eu amo as roupas coloridas, adoro os incensos de tudo quanto é cheiro, admiro alguns ensinamentos da religião hindu e do livro Veda, sou praticante de yoga nas horas vagas e as músicas indianas me fazem fechar os olhos e sair dançando por aí como se meu corpo tivesse vontade própria.

Aeroporto Internacional Indira Gandhi, Nova Deli.

Há alguns anos fiz uma escala no aeroporto de Mumbai, nem tive tempo de sair de lá de dentro para conhecer a cidade. Mas não foi preciso, pois ali mesmo notei alguns fatos curiosos desse país incrível. Por exemplo: me deparei pela primeira vez com um banheiro sem privada! Só tinha um buraco no chão e um balde de água do lado. 🙄 Depois foi a vez de trocar de terminal, peguei um ônibus do aeroporto que de tão velho eu me perguntava como ainda estava funcionando. Também fiquei surpresa quando vi os funcionários do McDonalds usando sandália. Imaginei como seria aquele país, já que passar umas horinhas do aeroporto foi uma grande aventura.

Mais recentemente, durante o mochilāo na Ásia conheci varias pessoas que tinham visitado a Índia. Eles me contaram suas histórias e perrengues por esse país e eu ouvia atenta à todos os detalhes. De todas as histórias, a que mais me fascinou foi a de um casal de Alagoas, quando dormiram no deserto bem pertinho da fronteira com o Paquistão, embaixo de um céu estrelado que nunca haviam visto antes. Foi deles que ouvi pela primeira vez a expressão: “Ao mesmo tempo que você ama você odeia a Índia”. Fiquei com aquilo na cabeça desde então. Que a Índia devia ser um país fantástico com uma cultura riquíssima mas que a jornada não ia ser nada fácil.

Entretanto, lembro exatamente o momento que meu coração escolheu esse país. Foi em um passeio na Caverna Batu em Kuala Lumpur, Malásia. O local abriga um templo hindu dentro de uma caverna espetacular, muito popular entre os indianos. Vi um garoto bem jovem que devia ter seus 17 anos, vestido em roupas tradicionais, com pinturas na testa e pelo corpo, cheio de adereços, carregando o que parecia ser uma oferenda nas mãos indo em direção ao templo e sua família caminhando logo atrás dele. Ele estava tão concentrado no que estava fazendo, seus olhos e sua postura era de como se não houvesse ninguém à sua volta, era somente ele e sua fé. Eu lembro como se fosse hoje a devoçāo daquele rapaz. Foi ali que me emocionei pela primeira vez pela Índia e o sonho de conhecer esse país incrível surgiu.

Caverna Batu – Gombak, Malásia.

Depois de escolher o país foi hora de começar o planejamento da viagem. Pesquisei por meses todas as cidades, os roteiros, os locais que gostaria de visitar, os vistos, as vacinas, as passagens e etc. Planejei absolutamente tudo por conta própria, não vou dizer que foi uma tarefa fácil mas eu gosto muito desse processo antes da viagem. Depois foi a hora de pedir férias no trabalho, o que também foi difícil pois geralmente ninguém consegue tirar férias por mais de duas semanas seguidas. Mas conversa vai conversa vêm, consegui convencê-los de que a data era muito importante e nesse caso eu teria que celebrar de uma forma muito especial.

Marquei a viagem para o final de Agosto, época das moções principalmente no sul do país. Nesse caso decidi usar as 3 semanas que ficaria no país para explorar o norte. Não adianta, a Índia é um país muito grande e com muitos lugares incríveis pra conhecer. Me convenci de que não iria conseguir ver o país inteiro de uma vez só (o que é uma ótima desculpa pra voltar pra lá). Foi assim que decidi as cidades que iria visitar tendo Nova Deli como ponto de entrada e de saída.

Nova Deli foi fundada pelo imperador Shah Jahan por volta de 1649. Tornou-se capital da Índia em 1931 e hoje é lar para aproximadamente 19 milhões de pessoas. Possui uma herança cultural riquíssima deixada pelo império Mogol. Fortes, tumbas, templos, mercadões, essa cidade tem atração para todo tipo de gente. Na pesquisa que fiz sobre Nova Deli antes da viagem notei que aqui além de ser uma cidade grande, tem muita coisa pra fazer. Reservei 3 dias mas tranquilamente ficaria mais 2 dias para ver outros lugares que ficaram de fora do roteiro. Ou seja, dificilmente você vai ficar entediado aqui se você é assim como eu e ama explorar! Confira abaixo um exemplo de roteiro para 3 dias em Nova Deli:

Nova Deli, Índia.

Roteiro em Nova Deli: Dia 1

TEMPLO AKSHARDHAM

Esse templo é um dos que eu mais queria conhecer por dois motivos: primeiro por sua arquitetura fascinante e segundo por ser o maior templo hindu do mundo. Como cheguei em um domingo e ele é fechado às segunda-feiras, vim praticamente direto do aeroporto pra cá. Esse templo é relativamente novo, foi inaugurado em novembro de 2005. Logo na entrada em um dos primeiros complexos do templo tem uma exposição de cultura tradicional hindu e indiana. A saída dessa galeria dá direto ao pátio central e assim que vi o templo fiquei encantada. O que mais impressionou foi o seu tamanho e a quantidade de detalhes esculpidos em sua estrutura, como elementos da fauna, flora, dançarinos, músicos e divindades. Pra que essa gradiosidade arquitetônica ficasse pronta foi preciso a ajuda de 3000 voluntários e 7000 artesãos. O complexo ainda oferece outras atrações como passeios de barco, um teatro, lindos jardins e uma fonte onde é exibido um show de água, luzes e música. Como em quase todos os templos da Índia, assim que você chega tem que deixar seus pertences em uma espécie de armário. Só pode entrar com dinheiro e documento, mais nada. Então pode esquecer as fotos e os Instagram Stories, pois celular e câmera são proibidos. Logo depois de comprar o ticket existem duas filas, uma para os homens e outra para as mulheres, para passarmos por detectores de metais (isso é bem comum na Índia).

TEMPLO LÓTUS

O Templo Lótus era outro que eu fazia muita questão de conhecer devido seu formato excêntrico e seu significado.  Como esse templo também é fechado às segunda-feiras, fiz questão de incluir no roteiro quando cheguei no domingo, mesmo estando muito cansada depois de mais de 17 horas de viagem. O nome se deve ao seu formato em flor de lótus, a construção é bem moderna e pessoas de todas as crenças são bem-vindas, pois é um local de culto da religião Bahá’í – que ensina o valor essencial de todas as religiões, a unidade e igualdade de todas as pessoas. O templo fica um pouco distante do centro de Deli, mas de Uber tudo fica pertinho. Assim que chegamos a fila estava quilométrica, mas eu decidi entrar na fila pois lógico que eu não iria perder a oportunidade. E olha que fiz a escolha certa pois a fila andou rapidinho. Detalhe: teve algumas pessoas cortando fila na minha frente na caruda, mas isso não me incomodou nem um pouco, na verdade eu ria como alguns deles eram tão cara de pau pra cortar a fila na maior tranquilidade como se nada tivesse acontecido! Uma vez dentro do complexo ainda tive que encarar uma segunda fila pra entrar dentro do templo. Apesar de poder carregar comigo minha bolsa e meus pertences, fotos não são permitidas no templo. O que chama atenção no seu interior é a arquitetura pois a decoração do local é bem simples com um pequeno altar e muitas cadeiras em volta.

BAIRRO PAHARGANJ

Esse foi o bairro que escolhi para me hospedar. Paharganj por si só já é uma atração turística. Essa área é conhecida por ser simples, antiga, suja, desorganizada e consequentemente aonde ficam os hotéis e hostels mais baratos. Perfeito pra quem está com o orçamento apertado. Foi por isso que escolhi ficar aqui, achei que ia ver mochileiros por todas as partes e consequentemente iria encontrar restaurantes bons, baratos e com alguns turistas. Mas não foi bem assim. Quase não vi mochileiros por aqui. Fiquei hospedada na mesma rua de uma das saídas da estação central de trens de Nova Deli. Não me hospedaria aqui novamente, se um dia voltar à Nova Deli vou procurar algum hotel na região de Connaught Place, logo abaixo eu explico o motivo. Mas mesmo assim, gostei da experiência pois se eu não tivesse ficado hospedada nessa região, talvez não teria conhecido esse bairro de Deli. Aqui foi o único lugar na Índia toda que eu vi pedintes, pra minha surpresa não vi nenhum pedinte em nenhuma outra cidade.

Roteiro em Nova Deli: Dia 2

MESQUITA JAMA MASJID

Peguei um Uber do hotel até a mesquita Jama Masjid, um dos pontos turísticos imperdíveis de Nova Deli. Assim que entrei no pátio da mesquita caiu a ficha que eu estava mesmo muito distante de casa. É um monumento completamente diferente de tudo que eu já vi na vida. A construção da mesquita se iniciou no ano de 1644 à mando do imperador Mughal Shah Jahan (o mesmo que mandou construir o Taj Mahal). Nos dias de hoje a mesquita é considerada a mais antiga de Deli e a maior da Índia. O pátio principal tem capacidade para aproximadamente 20 mil fiéis, porém a entrada dentro da mesquita só é permitida à muçulmanos. A maioria dos turistas aqui são indianos e eles a toda hora me pediam para tirar uma “selfie”. Isso não acontece só aqui, mas em toda a Índia e eu acho uma ótima maneira de interagir com os locais.

OLD DELHI

Esse bairro é simplesmente a cara da Índia. Com certeza um passeio por aqui é algo que não deve ficar de fora do seu roteiro. Saindo da mesquita decidi explorar a pé as ruas de Old Delhi, como é chamada a parte antiga da cidade. Essa foi uma das experiências mais incríveis que vivi enquanto estive na Índia. As ruas são bem estreitas, tomadas pelo comércio e multidões, o barulho das buzinas é enlouquecedor, o trânsito é intenso, sujeira e bagunça definem esse lugar. Mas encontrei harmonia no caos, cada esquina que virava era uma descoberta nova. Os casarões antigos em péssimo estado de conservação contam tantas histórias, eu fico imaginando as famílias que já moraram e ainda moram por aqui. Os postes das ruas abarrotados de fios chega causar espanto. Olha que eu achava que já tinha visto um poste cheio de gato no Brasil, mas pra padrões indianos os do Brasil são fichinha. As pessoas me olhavam muito mas isso não me incomodou em nenhum momento pois era um olhar inocente de curiosidade. Não me senti insegura, muito pelo contrário, foi diversão do começo ao fim.

CHANDNI CHOWK

Chandni Chowk é a principal rua comercial de Old Delhi. Aqui se vende todos os tipos de mercadorias, de sáris à temperos. Eu caminhei de uma ponta à outra da rua e adorei a experiência. Mas senti falta de ter um guia credenciado pra me contar um pouco mais das curiosidades do local, entrar em todos os cantinhos secretos do market, me levar para experimentar comida de rua em um lugar confiável, enfim esses tipos de coisas que geralmente é preciso estar com alguém que conheça bem o local. O engraçado foi ver as vacas que não saem do meio da rua mesmo com o trânsito intenso. E apesar de estarmos no centro de uma capital, vi macacos pelos telhados o que é algo bem inusitado para nós mas muito comum na Índia.

CONNAUGHT PLACE

De Old Delhi peguei um tuk-tuk até Connaught Place, uma área mais organizada e turística de Deli com restaurantes e lanchonetes internacionais como McDonalds, Starbucks, Nando’s entre outros. Mas pra ser sincera, não espere muita coisa, pois essa área não é super moderna. É apenas um pouco mais desenvolvida do que as outras partes de Deli. Isso se deve ao fato de ter sido construída na época do Império Britânico, mas ainda assim tem um aspecto bem antigo. No centro há uma praça em formato circular com uma enorme bandeira da Índia, seguindo o formato circular da praça ficam importantes avenidas e prédios antigos pintados de branco aonde ficam os hotéis, restaurantes e comércio da região. Dito isso, aqui é um ótimo lugar para se hospedar e comer, tanto pra quem prefere comida ocidental quanto pra quem quer conhecer alguns restaurantes indianos, inclusive eu darei a dica de um bem bacana logo mais abaixo.

JANPATH MARKET

Essa é uma feirinha a céu aberto que fica do lado de Connaught Place. É tão pertinho que fui andando até lá só seguindo o mapa no celular, pois fica no caminho até o observatório astronômico Jantar Mantar. Aqui é possível encontrar uma variedade de roupas, bolsas, bijuterias entre outras coisas. Quase não tem turistas de fora e se você gosta de fazer compras vai encontrar uns achadinhos bem legais por aqui.

JANTAR MANTAR

Do Janpath Market continuei a pé até o observatório astronômico Jantar Mantar. Composto por 13 instrumentos arquitetônicos, tinha como um dos principais objetivos calcular os movimentos da Lua, do Sol e dos planetas. O observatório foi construído em 1724 pelo marajá Jai Singh II de Jaipur, que também é responsável pela construção dos observatórios de Ujjain, Jaipur e Varanasi. O local é bastante frequentado por famílias indianas, mas apesar disso o sossego reina aqui. Na saída peguei um tuk-tuk para me levar até o templo sikh Bangla Sahib. Combinei o preço com o motorista e já estava dentro do tuk-tuk quando ele me disse que nesse templo eu não poderia entrar sem um lenço cobrindo a cabeça. Eu perguntei se não podia comprar um na entrada do templo, ele disse que não mas que me levaria à um shopping ali pertinho pra que eu pudesse comprar. Tava na cara que ele estava mentido e só queria me levar até esse shopping pra ganhar comissão. Eu desci do tuk-tuk e agradeci, disse que ia sozinha comprar meu lenço. Ele espantado me perguntou aonde eu estava indo, eu respondi – “Vou logo ali no Janpath Market” – pois eu estava bem perto dessa feirinha. Foi muito engraçado olhar a reação dele, com certeza não esperava uma resposta dessas de uma turista. Andei 2 minutos e peguei o próximo tuk-tuk que me levou até o templo e não falou nada de lenço na cabeça.

TEMPLO SIKH GURDWARA BANGLA SAHIB

Chegando no templo tem um pequeno comércio logo na frente com algumas barracas de comida e adivinha mais o quê? Lenços. Entretanto, preferi caminhar até entrada do templo para ver se realmente era obrigatório cobrir a cabeça. Sim é necessário, mas tem uns cestos bem grandes na entrada do templo cheios de lenços que podemos emprestar pra usar de graça e depois devolver no mesmo cesto. Tive que guardar os sapatos dentro do armário e o que eu achei legal é que eles pedem pra lavar as mãos e os pés antes de entrar no templo. Pra ser sincera, esse é o meu templo favorito de Nova Deli. Sabe aqueles lugares com uma energia muito boa? Tudo ali me encantou, a arquitetura, as cúpulas de ouro, a multidão, mas principalmente a cerimônia que estava rolando dentro do templo com muita música. No mesmo complexo ainda existe uma escola, uma livraria, um museu, um hospital, uma cozinha que serve comida de graça o dia inteiro e um reservatório de água (ou “lago”) reverenciado pelos fiéis como tendo propriedades curativas.

TEMPLO LAXMINARAYAN MANDIR

Outro templo hindu que gostei muito de conhecer foi o Laxminarayan Mandir, que fica uma curta distância de tuk-tuk do templo Bangla Sahib. No templo principal ficam as estátuas do Deus Narayan e da Deusa Lakshmi e em volta do altar existem varias pinturas mostrando fatos da cultura hindu. Ao redor desse templo ficam outros menores dedicados à Shiva, Krishna e Buda. O que eu mais gostei foi ver trechos do livro Veda decorando as paredes em um dos templos menores. Os jardins são bem tranquilos, ótimo pra relaxar e curtir a vibe mais tranquila longe do barulho das ruas de Deli. Logo na entrada do templo tem uma salinha para os turistas deixarem os sapatos e guardarem os pertences em um armário que dá pra trancar e levar a chave. Não é permitido entrar com câmera, nessa caso a melhor foto que consegui do templo foi tirada do outro lado da rua.

PARLAMENTO INDIANO

Eu pedi para o motorista do tuk-tuk me levar até o Parlamento Indiano, geralmente esse é um dos prédios mais interessantes em todos os países. É aqui que fica o supremo órgão legislativo da Índia. Mas acabou que não consegui ver muita coisa, o tuk-tuk parou no meio da rotatória que fica de frente com o parlamento. Não sei dizer se ele não me levou no lugar certo ou se o prédio esta em reforma e por isso não deu pra ver muita coisa. Daqui o tuk-tuk me levou até a Residência do Presidente que fica do lado.

RASHTRAPATI BHAVAN – RESIDÊNCIA DO PRESIDENTE

A Residência do Presidente da Índia fica ao lado do Parlamento Indiano, é considerada uma das maiores residências de presidente no mundo. Vale a pena dar um pulinho até lá se você estiver com tempo. Os dois prédios da frente são chamados de Bloco Norte e Bloco Sul. Ali ficam alguns dos principais ministérios do país, como o Ministério da Defesa, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério para Assuntos Internos e o Gabinete do Primeiro Ministro. A vista para o Portão da Índia lá de cima é bem bacana.

INDIA GATE – PORTÃO DA ÍNDIA

Carinhosamente conhecido como o “Arco do Triunfo” indiano. O Portão da Índia possui 42 metros de altura e foi construído entre os anos de 1921 à 1931. Fica localizado em uma das avenidas mais importantes de Nova Deli, na mesma reta em direção à Residência do Presidente. É considerado um memorial de guerra, para lembrar a morte dos 70 mil soldados do Exército Indiano Britânico no período de 1914 à 1921. Em volta do portão tem uma area verde com lagos, pedalinhos e crianças aproveitando pra brincar na água. Aqui é sempre muito cheio de gente tanto de dia quanto de noite, quando o Portão fica ainda mais lindo iluminado com as cores da bandeira da Índia.

Roteiro em Nova Deli: Dia 3

MINARETE QUTUB

O complexo do Minarete Qutub é considerado um patrimônio mundial pela UNESCO e também entra no topo da minha lista como um dos lugares imperdíveis em Nova Deli. Fica bem distante do centro turístico de Deli, mas é só pegar um Uber que rapidinho você chega lá. O minarete é uma torre alta e estreita, antigamente esse tipo de estrutura era construída próximo à mesquitas para chamar os fiéis para oração. O minarete de Nova Deli é o maior minarete do mundo feito de tijolo, essa arquitetura realmente impressiona por sua grandeza quando vista de perto. O complexo conta com um conjunto de monumentos construídos pelo Sultanato de Deli e outras estruturas que foram adicionadas posteriormente por outros impérios da Índia. Tenha certeza que assim como eu, você também vai adorar conhecer um pouco mais da história desse local e explorar suas ruínas.

TUMBA DE HUMAYUN

Disparado um dos lugares mais perfeitos de Nova Deli. Por um momento até achei que estava no Taj Mahal. Tá, eu sei que não é pra tanto. Mas de verdade, eu pirei quando vi a magnitude desse lugar. Bom, em primeiro lugar quem foi Humayun? Foi o segundo imperador mogol, um império de origem turco-mongol que dominou partes do que hoje é Índia, Paquistão, Afeganistão e Bangladesh. O túmulo foi construído em 1569 à mando de sua viúva favorita Bega Begum.

MERCADO KHAN MARKET

Esse mercado fica uma curta distância de tuk-tuk do Túmulo de Humayn. É um pequeno centro comercial, com lojas de roupas, artesanato, produtos de beleza e outras coisas. Eu achei os preços aqui bem salgados. Porém, vim aqui mais de uma vez, pois tem um restaurante delicioso que eu falo um pouco mais logo ali abaixo e também tem umas cafeterias bem bacanas.

FORTE VERMELHO – RED FORT

Depois de almoçar no Khan Market, peguei um tuk-tuk até o Forte Vermelho. O motorista me deixou em uma entrada lateral do Forte, próximo ao estacionamento. Me disse que era uma caminhadinha de 5 minutos até a bilheteria, lógico que os 5 minutos foram na verdade uns 15. Por mais de 200 anos o Forte serviu de residência para imperadores da dinastia Mogol, era também o centro político e palco de eventos que influenciaram toda a região. Achei a entrada do Forte bem muvucada, a entrada nesse caso digo o pátio central, antes de passar pelas catracas e detectores de metais. O único problema foi que eu já estava cansada de andar o dia inteiro, então não visitei todos os cantinhos do Forte. Mas de qualquer jeito, ele é impressionante e vale e visita.

• Onde Comer Em Nova Deli

Eu sou daquelas pessoas que quando viaja para um país novo adora experimentar a comida típica do local. Pra mim, experimentar a culinária é uma das formas de se explorar o país. Eu não sou fresca pra comida e como quase de tudo. Porém, eu viajo com meu noivo. E ele não come de tudo. Então fica difícil pra eu ir em restaurantes que só sirvam comida local porque eu sei que não vai ter nada que ele come. Sempre que viajamos, tenho que ter pesquisado restaurantes que servem comida ocidental. E quando dou muita sorte, restaurantes que sirvam comida local e ocidental. Mais alguém aí também passa por isso? Nesse caso, se você é igual à ele e está indo para Índia morrendo de medo de passar fome ou de ter que virar vegetariano contra sua vontade. Não se preocupe! Aqui você vai encontrar dicas de restaurantes deliciosos.

Nando’s: No meu primeiro dia em Deli estava varada de fome e virada da viagem de avião de Londres. O calor estava derretendo e o cansaço matando. Então pra facilitar minha vida escolhi comer em um lugar que já conhecia. Esse restaurante internacional fica em Connaught Place. Eles servem frango grelhado e você escolhe os acompanhamentos. Tem opções vegetarianas também. A comida é muito gostosa e o preço é bem mais em conta em Deli se for comparado à Londres.

Foto retirada do site oficial do restaurante Nando’s Índia.

No dia seguinte estava animada pra experimentar comida local. Mas a primeira tentativa de comer em um restaurante no coração da Old Delhi foi absolutamente um desastre. Eu tinha visto em mais de um blog de viagens, algumas brasileiras indicando o restaurante Karim logo atrás da Mesquita Jama Masjid. Em primeiro lugar, foi um pouco difícil achar o “beco” que o restaurante se encontrava. Em segundo lugar, quando finalmente achei o beco, tinha uns 3 restaurantes no local com o mesmo nome e todos muito parecidos. Nesse que eu entrei tinha alguns turistas comendo sentados nas mesinhas simples. Só que eu nem cheguei a sentar, pois fiquei na dúvida se estava mesmo no restaurante recomendado quando de repente vejo uma ratazana enorme dentro de um balde de sobras de comida. Os funcionários do restaurante viram a ratazana e viram também que eu tinha visto ela mas não fizeram nada. Na mesma hora eu decidi sair dali correndo e não tentar os outros 2 restaurantes do beco com mesmo nome pois eles me pareciam ser do mesmo nível. Literalmente fugi dali para Connaught Place.

Barbeque Nation: Fui parar em um restaurante, na verdade uma churrascaria indiana. Cheguei até aqui por recomendação nos blogs Ideias na Mala e Arrumei as Malas e Parti. E eu também entro pra lista de pessoas que recomendam esse restaurante. A comida é muito saborosa. O garçom veio na mesa pra explicar como que o rodízio funcionava, mas não consegui entender o que ele dizia e fui falando “yes” pra tudo. Daí começaram a colocar espetinhos na churrasqueira que tem dentro da mesa. Sim, você entendeu certo! Tem uma grelha na mesa e você vai escolhendo o ponto do seu frango, peixe ou vegetal. Não tem carne de vaca. Você também pode se servir à vontade em um buffet com diversas opções de comida típica vegetariana ou de frango. Tem uma outra mesa com salada e vegetais. A mesa das sobremesas também é self-service, você come quantas sobremesas quiser! Amei! O chefe de cozinha veio até nossa mesa conferir se tínhamos gostado da comida e nos convidou a conhecer a cozinha. Lógico que eu aceitei! Mas fica a dica: antes de ir até lá e dar de cara na porta, aconselho que você faça uma reserva. Pois quando cheguei lá, o recepcionista estava dizendo pra todo mundo que o restaurante estava totalmente reservado. Acho que só consegui uma mesa por ser turista, ter ficado ali esperando e insistido um pouquinho.

Big Chill: O meu restaurante favorito de Deli é o Big Chill que fica localizado no Khan Market. Eu almocei e jantei aqui varias vezes. Mas já vou avisando: não é um restaurante de comida indiana. Eles servem pratos ocidentais, como pizzas, massas, lasanha e outros nesse estilo. Os clientes são todos indianos, pois ao redor desse centro comercial ficam muitas empresas e os indianos com uma condição melhor de vida que trabalham ali do lado vem até o Khan Market pra comer. De noite também é lotado, com uma galera indiana jovem, moderna e de boas condições. A variedade no cardápio de comida e sobremesas é quase infinita! O atendimento é bem eficiente. As porções são muito bem servidas. A comida vem fervendo (amo!). O único ponto negativo é não ter Wi-Fi.

Se eu gostaria de ir ido à mais restaurantes indianos? Sim, gostaria mas não consegui encontrar mais dicas que entrariam nos quesitos: bom, barato e com opções atraentes tanto ao meu palato quanto à do meu noivo.

• Onde Se Hospedar Em Nova Deli

bloomrooms @ New Delhi Railway Station: fica na mesma rua da saída da estação central de trem de Nova Deli, ou seja, ótima opção pra quem está vindo de trem do aeroporto ou de outra cidade. Se você falar o nome da rua todos os motoristas de Deli vão saber te levar lá. O quarto é simples e aconchegante, o ar-condicionado funciona que é uma beleza. A cama é muito confortável e limpinha, o banheiro é grande e o chuveiro é uma delícia. O Wi-Fi funcionou muito bem no meu quarto. O café da manhã apesar de simples quebra um galho. Essa é uma rede de hotéis com estabelecimentos em varias partes de Deli e da Índia. No geral, fiquei feliz com hotel mas não tanto com a area.

Eu pesquisei bastante e reservei o hotel de Nova Deli antes de chegar na Índia. Tirando por base a maioria dos blogs que li decidi escolher ficar no bairro Paharganj. Por varios motivos: 1- essa area é conhecida por ser a área dos mochileiros; 2- por ter as acomodações mais baratas da capital; 3- possui uma característica que eu procurava que é Índia com cara de Índia. Queria estar hospedada em uma area mais original, com mochileiros tipo eu pelas ruas e poder encontrar restaurantes baratos com opções de comidas indianas e ocidentais. Mas não foi bem assim. Praticamente não vi turista andando pelas ruas, restaurantes baratinhos com turistas então nem pensar. A única coisa que me agradou foi ter visto de perto a realidade de um dos bairros mais pobres e antigos de Deli. Se não fosse pela escolha desse hotel, talvez não teria visto essa realidade dos indianos. Dito isso, se eu voltasse hoje para a Nova Deli escolheria ficar hospedada em Connaught Place, um bairro mais “riquinho” por dois motivos: primeiro porque tem muitas opções de restaurantes e segundo porque essa área fica mais bem localizada para se deslocar na capital. A única desvantagem é ser uma area um pouco mais cara.

JW Marriott Hotel New Delhi Aerocity: esse é um hotel 5 estrelas que fica do lado do aeroporto internacional Indira Gandhi. Nossa, mas como assim você é mochileira e fica em hotel 5 estrelas? Bom, no caso eu já trabalhei pra essa empresa e ainda tenho amigos que trabalham nela. Então pedi pra eles conseguissem um desconto pra mim. E foi com esse desconto que consegui me hospedar aqui, pois o valor real dele está um pouco muito fora do meu orçamento. Eu me dei de presente a diária nesse hotel no último dia da viagem porque depois de um mochilão de 3 semanas na Índia dormindo em trem e tudo mais, eu merecia. Foi uma experiência incrível poder voltar pra Deli e relaxar num hotel desse nível. O hotel é impecável nem preciso recomendar. Ele fica em uma área chamada Aerocity, é como se fosse um condomínio fechado e seguro cheio de hotéis.

Pra quem não quer gastar dinheiro no restaurante do hotel, tem uma praça de alimentação em um prédio comercial chamado Worldmark com inúmeras opções de restaurantes. Fica só 5 minutinhos à pé do hotel. O local estava lotado, mas não tinha nenhum turista. Tem varias lanchonetes de comidas indianas mas tem também outras que vende hamburger e pizza.

Foi excelente ter me hospedado nesse hotel pois o voo de volta para Londres era as 8 da manhã do dia seguinte. Então deu pra relaxar o dia inteiro na piscina, ter uma ótima noite de sono e no dia seguinte não precisei fazer correria nenhuma pra chegar no aeroporto. Só peguei um Uber do hotel e em 5 minutos cheguei lá.

Eu me preparei tão bem psicologicamente para enfrentar a Índia, esperei o pior do pior e no fundo me surpreendi pois ao chegar à Índia não fiquei abalada ou incomodada com o que vi. O que eu encontrei foi uma cidade vibrante, interessante e um povo muito receptivo. A minha sensação é que na Índia as pessoas não tentam enganar e tirar vantagem dos turistas o tempo todo como na maioria dos países que visitei. Se eu pudesse dar uma dica é a seguinte: vá para a Índia com o coração aberto. Não julgue e não compare, simplesmente aceite-a da forma que ela é. Afinal…

Não é você quem escolhe quando ir para a Índia. É ela quem te escolhe.

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2 comentários em “Nova Deli”

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